"Pensar apenas em si mesmo, e no seu prazer momentâneo é querer muito pouco da vida." (...)
Era um velho, mas aos 80 anos permanecia jovem a ponto de ainda tudo relativizar, se orgulhava de manter-se assim: com uma alma jovem e consequentemente estúpida. Esta noite, ao saber da morte de um amigo próximo, lembrou-se do verão, aquele calor que o seu corpo agora só tinha em lembranças. Naquele verão, décadas atrás... ele amava, acreditava que a vida não era solidão, não era um preparar-se para o apodrecimento e também que a esperança não era a única que por fim morreria. Ele desacreditava e aí estava o sentido da vida: num sorriso, num telefonema à noite, quando havia medo do escuro.
Hoje, aos 80, e a morte outra vez...? Nesta idade se tem contato diário com a possibilidade, ou pode-se pensar em outra coisa quando seu corpo está podre e estar consciente disso é o pior dos castigos? Em que se poderia pensar? Sonhar? Com o que?
Lembrar! Lhe restava apenas isso, sobrepor o passado ante a presença de um futuro certo, mortal. Mas, enquanto havia amor não se lembrou da morte, a eternidade existia ali, entre as palavras.
Enquanto tentava entender como havia esquecido por tanto tempo tal sentimento, percebeu que ao morrer não estaria apenas deixando o seu lugar, a sua família, o mundo. Deixaria uma pequena história, pequena diante do tempo, mas o que é o tempo diante do amor e da eternidade que o acompanha? O que era a morte diante daquela tarde em que viu alguém sorrir e dizer que era feliz por ele existir? O que é existir senão fazer alguém feliz? Sorriu, fechou os olhos e dormiu.
4 comentários:
Muito bom...excelente!
Devemos ter consciencia da vida e aproveitá-la ao maximo...se não estaremos a lamentar pelas atitudes não tomadas...
"O que é existir senão fazer alguém feliz?"
mermãão...
muito bom!!
Bis!
:)
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