
Poema antigo, só pra postar. É grande, porque é um conjunto verbal de paradoxos: fala ao mesmo tempo de vida e de morte, de começo e de fim, de hipótese e de realidade, de alegria e de dor, de idealização e de realização. De amor e de amar. Espero que tenham paciência de ler, vale a pena.
E quando já não houver mais ninguém
Quando a certeza se consolidar
E o medo não mais existir
E o sofrimento não fizer mais sentido
Quando a visão não for mais miragem
E a alegria não vier só de passagem
Quando o “adeus” virar “até logo”
E o instante vivido for eternizado
Do meu lado não te deixarei sair
Na minha ilusão não te permitirei ficar.
E quando chegar a doce rotina
E se aparecer a suave neblina
Não mais será como antes
Não terá força como no passado.
O que é bom irá ficar
O que é ruim irá valer
E o que é triste só vai deixar uma ferida doída
Que o tempo há de cicatrizar.
E quando o futuro for presente
Quando a mágoa estiver ausente
E o perdão voltar a unir
E a palavra, da boca, nem chegar a sair
Que a dor sentida naquele instante
Seja apenas de felicidade
E não mais de saudade
E não mais de saudade
E nunca mais de saudade
Para sempre: jamais saudade!
E quando a lágrima cair
E pelo rosto escorrer
Se o teu retrato, no meu peito, molhar
Já não irá se desfazer.
Antes tinha motivos para estar
Hoje tenho razão para viver
E amanhã…
Amanhã seremos um
E um sentido apenas teremos:
O de amar, de sorrir
Sorrir por estar aqui
Sorrir por estar assim
Assim
Como sempre quis
Como sempre sonhei
Como jamais imaginei.
De um jeito que nem a mais fértil imaginação
E o mais árduo e febril sonhador
Conseguiram sequer pensar.
De um jeito que nenhum sábio
Conseguirá traduzir.
De um jeito que só nós
Poderemos sentir.
De um jeito que nem o mar saberá imitar
E a mudança que virá
Não fará mudar.
E quando chegar o dia do fim
Tu estarás lá, eu sei que sim!
Tu estarás me olhando, esperando por mim
Será o dia do verdadeiro começo
E sentirei como nunca a felicidade sem preço.
Se…
E tão somente SE…
(Pesqueira, 23/08/2004)
Um comentário:
Lindo demais.
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