domingo, 18 de abril de 2010

Nada além do olhar


As coisas que digo, todos podem ouvir; já as coisas que não falo, quem entende?

Quem consegue interpretar um gesto?

Ouvir o que diz um olhar...?

Quem num mundo agitado como o nosso, onde o tempo “é curto” e “não se tem tempo para fazer nada”, se permite parar e olhar as coisas que os olhos não podem ver?

Não vemos a beleza do mundo, não percebemos os gracejos ; as intenções, as emoções... das multidões. Perdemos a habilidade de ver além das aparências... olha-se as roupas, enxega-se as etiquetas minúsculas , mas não se vê o que há por trás de cada ser humano, ninguém mais se preocupa com o próximo, na verdade nunca se preocuparam-se, ninguém mais ajuda sem ser requisitado; ninguém mais é gentil desinteressadamente!

Que humanos são esses que não enxergam outros iguais aparentemente a si? Que seres são esses tão desvalidos de valor? Ainda mais agora, numa época onde todos gritam em uníssono por um pouco de atenção!

Ecoa no silêncio do nosso cotidiano agitado um pedido de ajuda, um pedido calado... estridente apenas com o olhar!

Apenas algumas pessoas conservam a habilidade de verem além do óbvio; pouquíssimos entendem as palavras eu nunca são ditas.


“Moema”

Um comentário:

Diego Kehrle disse...

É preciso perceber o que está fora do tempo. Bonitas palavras.