Ontem descobri que não tenho identidade, não posso ser chamado de sujeito. Descobri que sou mercadoria, sim, mercadoria... produzida como qualquer outra que se vende por aí, só que a minha função é consumir. Desde o estilo de vida, sonhos, hábitos, gostos... tudo aquilo que eu pensava que era, apenas mercadoria.
E como mercadoria, que parece necessitar das outras, me entrego a uma rotina mecanizada e repetitiva, desprezo a criatividade e uma forma de vida diferente daquela da novela das 8. O que seria de mim sem as piadas do Faustão? Sem o futebol aos domingos, sem a ressaca do sábado? O que eu poderia querer da vida depois de mais de 40h semanais num trabalho que me embrutece e condiciona? Sinceramente, não sei. Ah, agora lembro... quero meu salário, preciso pagar por tudo aquilo que me escraviza. Talvez eu mereça mesmo ser uma mercadoria... ou talvez...
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