domingo, 10 de janeiro de 2010

Coisa

Ontem descobri que não tenho identidade, não posso ser chamado de sujeito. Descobri que sou mercadoria, sim, mercadoria... produzida como qualquer outra que se vende por aí, só que a minha função é consumir. Desde o estilo de vida, sonhos, hábitos, gostos... tudo aquilo que eu pensava que era, apenas mercadoria.

E como mercadoria, que parece necessitar das outras, me entrego a uma rotina mecanizada e repetitiva, desprezo a criatividade e uma forma de vida diferente daquela da novela das 8. O que seria de mim sem as piadas do Faustão? Sem o futebol aos domingos, sem a ressaca do sábado? O que eu poderia querer da vida depois de mais de 40h semanais num trabalho que me embrutece e condiciona? Sinceramente, não sei. Ah, agora lembro... quero meu salário, preciso pagar por tudo aquilo que me escraviza. Talvez eu mereça mesmo ser uma mercadoria... ou talvez...

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