Esse não é meu...
Assim como existem pessoas que ficam correndo de um lado para outro, cuidando das coisas, enquanto outras simplesmente ficam sentadas –o mesmo acontece com a mente das pessoas. Alguns cérebros ficam se agitando e trabalhando e lembrando e questionando coisas o tempo inteiro, e outros cérebros ficam só deitados cochilando e mudando de lado às vezes.
Na escola, eu ficava atormentado com a ideia de que eu tinha pensamentos na verdade muito superiores ao que eu poderia por em palavras. Não é que eu não conseguisse achar as palavras, ou que os pensamentos fossem profundos e complicados demais para por em palavras. Simplesmente, quando eu tentava falar ou colocar no papel os pensamentos, eles tinham sumido.
[...] Por alguma razão, eu fiquei muito interessado nesses pensamentos que eu nunca conseguia pegar. Às vezes nem dava para chamá-los de pensamentos; eram uma espécie de sentimento obscuro a respeito de alguma coisa. Não se inseriam em nenhum tema particular –história, aritmética ou coisa parecida [...]
Acho que você pode ver o que estava acontecendo. Eu estava pensando direito, e mesmo tendo pensamentos que pareciam interessantes para mim, mas eu não conseguia segurar esses pensamentos dentro de mim, ou pescá-los quando os queria. [Acho que] a maioria das pessoas tem esse mesmo problema. Os pensamentos que as pessoas têm são flutuantes –só um lampejo, e depois desaparecem—ou, ainda que elas saibam que sabem alguma coisa, ou têm idéias sobre alguma coisa, não conseguem cavocar até chegar a elas quando querem. As mentes delas, na verdade, estão fora do alcance. É uma coisa curiosa dizer isso, mas é absolutamente verdadeiro.
Existe a vida interior, que é o mundo da realidade básica, o mundo da memória, da emoção, da imaginação, da inteligência, do bom senso, e que funciona o tempo todo, conscientemente ou não, como o bater do coração. Existe também o processo do pensamento, pelo qual entramos nessa vida interior e capturamos as respostas e as evidências que nos dão base para tratar das questões que vêm de fora. Esse processo de vasculhamento, de persuasão, de emboscada, de caçada, ou de rendição, é o tipo de pensamento que precisamos aprender, e se não o aprendemos, nossas mentes ficam dentro de nós como os peixes no lago de uma pessoa que não sabe pescar.
(Ted Hughes - Poetry in the Making.)
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